Um pouco sobre o Pico do Arieiro
O Pico do Arieiro (Pico do Areeiro, na forma oficial em português europeu), com 1.818 metros de altitude, é o terceiro ponto mais alto da Ilha da Madeira. Ele só perde para o Pico Ruivo (1.862 m) — o mais alto da ilha — e para o Pico das Torres (1.851 m), que fica entre os dois.
Apesar de não ser o topo absoluto, o Arieiro é o mais popular, pois é o único dos grandes picos acessível de carro até o cume, com estrada asfaltada, estacionamento e até restaurante. Além disso, dali parte a famosa Vereda do Areeiro (PR1), que conecta o Pico do Arieiro ao Pico Ruivo, considerada uma das trilhas mais bonitas (e desafiadoras) da Madeira.

Aqui vale uma distinção técnica importante:
- Veredas (como a PR1 Vereda do Areeiro) são trilhas de montanha oficiais na rede de percursos recomendados da Madeira, normalmente mais exigentes, com desníveis e trechos íngremes.
- Levadas (como a PR9 Levada do Caldeirão Verde) são caminhos que acompanham canais de irrigação, geralmente com desnível suave, mais acessíveis e populares entre iniciantes.
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Essa diferença muda totalmente a experiência: enquanto as levadas oferecem passeios longos mas tranquilos, as veredas — especialmente a do Arieiro — exigem preparo físico, resistência e atenção ao terreno exposto.
Acesso e estacionamento no Pico do Arieiro
Uma das grandes vantagens do Pico do Arieiro em relação a outros picos da Madeira é a facilidade de acesso. Diferente do Pico Ruivo, que exige trilha a partir de Achada do Teixeira, aqui é possível chegar de carro até o topo.
- Distância de Funchal: cerca de 30 km (30–40 minutos de carro).
- Estrada: totalmente asfaltada, mas estreita e sinuosa, exigindo atenção redobrada, principalmente em dias de neblina.
- Estacionamento: existem dois parques de estacionamento pagos junto ao miradouro e ao restaurante. Em dias de sol ou finais de semana, as vagas lotam rapidamente — chegar cedo faz toda a diferença. Pagamos €5 no estacionamento mais afastado e pudemos deixar o carro lá o dia todo.
- Alternativas: há também transfers e excursões que saem de Funchal, ideais para quem não quer dirigir em estradas de montanha no escuro (especialmente para ver o nascer do sol).

💡 Dica: Existe ainda um segundo estacionamento, mais afastado, onde acabamos deixando o carro. De lá, você pode fazer uma pequena trilha até o miradouro que marca o início da vereda principal ou pegar um ônibus shuttle que faz esse trajeto. Nós, distraídos, não vimos o tal shuttle e já começamos nosso “crossfit” logo na chegada. Esse estacionamento extra é um bom termômetro da popularidade do Pico do Arieiro como ponto turístico — afinal, em nenhuma outra trilha da ilha vimos algo parecido.

Posso dizer que demos muita sorte ao encontrar vaga no horário em que chegamos. Aliás, durante toda a viagem nosso “santo protetor das vagas” trabalhou em turno dobrado. Diferente do que vi em vários vídeos, sempre havia espaço disponível — até para os que insistiam em chegar no auge do movimento das trilhas. Mas sejamos sinceros: talvez tenha sido só sorte mesmo.
💡 Dica prática: se a ideia for assistir ao nascer do sol, prefira dormir próximo ao Pico ou contratar um transfer. Dirigir de madrugada nessas estradas sem iluminação é arriscado.
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Trilha interrompida e a frustração da Pedra Rija
O plano, na teoria, era percorrer o trajeto clássico entre o Pico do Arieiro e o Pico Ruivo. Na prática, a gente já sabia que, com o horário em que chegamos e o nosso preparo físico “meia-boca”, a meta realista seria chegar pelo menos até o primeiro túnel.

Mas nem isso aconteceu: a trilha estava fechada depois de um ponto chamado Pedra Rija. Para nossa infelicidade, não era boato — era verdade. Ou seja, nada de Pico Ruivo dessa vez.
Ainda assim, os cerca de 4 km que conseguimos fazer já foram mais do que suficientes para colocar o fôlego à prova. Entre as escadas que pareciam não ter fim, o sol de meio-dia na cabeça e a altitude, foi desafio na medida certa para dois cinquentões que insistem em acreditar que têm 30.
Uma trilha que exige preparo
Diferente de algumas levadas, essa não é uma trilha para iniciantes. Exige preparo físico muito bom, mesmo de quem já tem alguma experiência. Nós fomos com calma, fazendo várias pausas para fotos e contemplação.

A sorte foi o clima: céu limpo, calor e nuvens na medida certa para belas imagens. Mais uma vez, a Madeira mostrou ser generosa com os viajantes.
Turistas sem noção (sempre presentes)
Como já era de se esperar, o fluxo de turistas é intenso. E, claro, sempre aparecem personagens inusitados: vimos uma senhora descendo um trecho íngreme de escadas sem corrimões, em pleno penhasco de 1.800 m, com um copo em uma mão e o celular na outra, filmando tudo sem olhar para o caminho.
Essa cena resume o que o Pico do Arieiro se tornou: mais atração turística do que trilha remota. Há dois estacionamentos pagos, restaurante no topo, lojas de souvenirs e até ônibus de turismo subindo a montanha. Confesso: não consigo me imaginar fazendo esse trajeto em um ônibus leito, mas tudo em nome dos negócios — lema cada vez mais forte na Madeira.
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Onde comer no caminho de volta
Depois de enfrentar as escadas intermináveis e o sol forte no alto, nada melhor do que pensar em comida antes da descida para Funchal. No caminho, fizemos uma parada no Abrigo do Poiso Restaurant, bem na estrada de acesso ao Pico do Arieiro. Inicialmente paramos ali porque queríamos tirar fotos — as árvores ao redor são um espetáculo à parte — mas acabamos descobrindo um lugar super simpático, com preços justos e pratos muito bem servidos.

Pedimos um mix de carnes que custou €30 e veio acompanhado de arroz, feijão e batatas. Resultado? Conseguimos comer só a metade — o prato facilmente serviria quatro pessoas. Foi uma daquelas escolhas felizes: farto, saboroso e perfeito para recuperar as energias. Tudo isso regado a uma poncha, a bebida típica madeirense que lembra bastante a nossa caipirinha, só que sem o gelo batido.

O restaurante tem aquele clima rústico de montanha, com comida caseira típica, sopas, sanduíches simples e, claro, a poncha como estrela do cardápio. Não é à toa que se tornou parada tradicional tanto para turistas quanto para locais.
💡 Dica: Programe a descida já pensando em uma pausa no Abrigo do Poiso — é uma forma deliciosa de encerrar a aventura no Pico do Arieiro.
A lição do nascer do sol
A gente não fez a “tarefa de casa”. O grande hit do momento no Pico do Arieiro é ver o nascer (ou pôr) do sol acima das nuvens. Mas aqui vai a lição aprendida: se realmente quiser viver isso, invista em um transfer ou durma muito próximo do local. Subir aquelas estradas estreitas e sinuosas sem luz do sol é bem arriscado.

Nós, como sempre, chegamos no nosso horário de costume, entre 9h e 10h. E adivinha? Todo mundo também resolve ir nesse horário. Saímos por volta das 15h e ainda havia gente chegando. Mesmo sem o glamour da golden hour, a visão foi impressionante: o mar de nuvens já aparece no caminho da subida e, no topo, a paisagem não decepciona.
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Vale a pena voltar para o nascer do sol?
Sim. Se tivéssemos que tentar de novo, faríamos um esforço para ver o nascer do sol. Essa talvez tenha sido a trilha da Madeira em que mais sentimos falta dessa experiência. Mas fica para uma próxima visita à ilha — e, quem sabe, dessa vez a trilha até o Pico Ruivo estará aberta.
Conclusão
Mesmo sem a golden hour e com a trilha interrompida, o Pico do Arieiro é uma experiência obrigatória para quem visita a Madeira. É desafiador, mas também inesquecível. Seja para um bate-volta rápido até o mirante, seja para a trilha completa até o Pico Ruivo, o lugar oferece vistas que realmente tiram o fôlego.

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🌎 Boa viagem e até a próxima aventura!
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