Por que incluímos Paros em nosso roteiro a dois?
Como marinheiros de primeira viagem pelo arquipélago grego das Cíclades, eu e a Alice resolvemos apostar em um trio pouco comum: Milos, Paros e Creta. A ideia era justamente quebrar os combalidos roteiros caros que focam apenas na dobradinha Santorini e Mykonos.

Buscávamos algo que coubesse no nosso orçamento, mas que mantivesse aquela cara autêntica de vila real grega, aproveitando os dias de setembro — que é sempre a nossa aposta estratégica para viajar com clima de verão, mas fugindo do pico das multidões.
Como de costume em nossas viagens a dois, procuramos incluir experiências tanto de relaxamento e natureza quanto com uma pitada de agito. Se a disposição vier junto, coisas como bater perna para ver um pouco da vida noturna ou poder sentar em um restaurante descolado sempre estão no nosso radar, e Milos, ao contrário de Paros, não tinha isso como ponto forte.
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Então, decidimos dar uma chance para essa ilha, que é comumente uma escolha de balneário dos próprios gregos que gostam de economizar no verão. Como frequentamos alguns restaurantes gregos em Montreal (diga-se de passagem, um verdadeiro reduto grego no Canadá), tivemos vários insights de expatriados falando sobre essa ilha como sendo uma das preferidas deles.
O que esperar de Paros?
Se você nunca ouviu falar de Paros, a ilha é comumente mencionada por ser um destino muito acessível, atraindo principalmente o público jovem.
Ela oferece uma experiência que mistura tudo o que a gente imagina da Grécia: as tradicionais casinhas brancas de portas azuis, vielas de pedra charmosas, vida noturna agitada e beach clubs badalados, mas entregando tudo isso com preços bem mais convidativos que os da vizinha famosa, Mykonos. Mas será mesmo que essa é uma experiência que vale a pena? Continue lendo para descobrir.
De Milos a Paros: A Mudança de Ritmo e Logística
Incluímos 2 dias inteiros nessa ilha antes de seguir para Creta, principalmente devido à facilidade logística. Chegar lá vindo de Milos é muito prático, e você tem basicamente duas opções: o ferry rápido (high-speed), que faz o trajeto em cerca de 1 hora e 45 minutos (a nossa aposta), e o ferry convencional e lento, que pode estender a viagem para cerca de 5 horas e meia, dependendo da rota.
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A primeira impressão que você tem ao desembarcar no porto de Parikia (que foi a nossa base na ilha) é a de que a cidade é enorme. Com seus cerca de 13 a 14 mil habitantes, Paros passa uma sensação de “cidade grande”, um choque de ritmo quase instantâneo quando comparada à imensa tranquilidade de Milos e seus modestos 5 mil habitantes. O trânsito mais intenso e o agito mostram logo de cara que a ilha tem um ritmo mais acelerado. Mais barulho, mais trânsito e uma vibe de praias que lembra o Nordeste brasileiro.

Sendo bem honesto com você, leitor, preciso alertar que, com apenas dois dias, será difícil descrever tudo o que a ilha oferece. O que posso dizer é que, para nós, essa pareceu ser uma ilha para jovens, com uma pegada de mochileiros, que oferece a oportunidade de fazer um turismo de baixo custo pela Grécia e ainda dar as suas cartas de “praia grega”. Então, aqui vai a nossa passagem pela ilha.
Hospedagem: Nossa Base em Paros
Como esta foi a estadia mais curta nas ilhas, precisávamos de uma base de onde pudéssemos fazer tudo a pé e, eventualmente, alugar um carro ou scooter para distâncias curtas ou explorar praias mais distantes.
Escolhemos ficar perto do porto onde chegamos via ferry em Parikia. Como estaríamos sem carro (e talvez até um transporte público rolasse), e como falei em outros posts que essa viagem foi planejada um pouco às pressas, muitos dos roteiros foram acontecendo sem muito planejamento. Mas ficar em uma pousadinha a poucos metros da Livadia Beach, com toda a estrutura de bares e restaurantes e próxima do porto, foi uma boa estratégia, principalmente pelo custo, pois a ilha foi de fato a que melhor nos ofereceu esse benefício do “baixo custo”.

Nos hospedamos no MerSea Apartments, uma pequena pousada que nos atendeu no básico, assim como em Milos, mas sem qualquer grande luxo como café da manhã. Nesses lugares, a gente está muito mais focado em passar o dia fora do que curtir o hotel. Então, eu daria um 3,5/5 para o conforto, mas um 5/5 para a simpatia das donas.
A Praia em Frente ao Hotel
Livadia Beach é uma das muitas praias urbanas que você vai encontrar em Paros, com uma boa infraestrutura de bares e restaurantes e um pouco mais de sossego em relação ao centro histórico.

O banho de mar era ótimo, e tomar um café vendo os barcos ancorados na praia nos deixou boas memórias do lugar. O mesmo vale o fim de tarde, em nossa primeira noite na ilha.
O que Fazer em Parikia: Explorando o Centro e a Vida Noturna
Falando sobre o centrinho de Parikia, é exatamente ali que a magia daquelas fotos clássicas das Cíclades acontece. Depois desse nosso fim de tarde na praia, fomos bater perna pelo labirinto de ruelas de pedra, caminhando entre aquelas tradicionais casinhas brancas com portas azuis e flores de buganvília.

Em termos do que fazer de mais turístico pelo centro, aqui estão os pontos principais por onde você vai acabar passando:
- O labirinto de ruelas: A atração principal é, literalmente, se perder sem rumo pelas vielas exclusivas para pedestres, explorando as lojinhas de artesanato, roupas e souvenirs.
- Moinho de Vento do Porto: O icônico cartão-postal bem no centro do porto. É impossível desembarcar ou passear pela orla e não parar para tirar uma foto nele.
- Panagia Ekatontapiliani (Igreja das Cem Portas): Uma das igrejas bizantinas mais importantes e bem preservadas de toda a Grécia, cheia de história e lendas.
- Castelo Franco (Kastro Veneziano): Ruínas de um antigo castelo do século XIII construído no ponto mais alto de Parikia. O mais legal é ver como as paredes de mármore de antigos templos foram reaproveitadas e se misturam com as casinhas da vila. (Só vimos de fora)
Mas é à noite que a dinâmica da cidade realmente muda. A orla e as ruelas internas ganham muita vida, repletas de bares super charmosos e restaurantes com mesas na calçada. E como o nosso foco era equilibrar a experiência com o bolso, Parikia foi uma grata surpresa.

Acabamos jantando em uma das várias tavernas tradicionais com mesas de frente para o mar pagando apenas um terço do que gastamos na nossa passagem por Milos. Come-se muito bem e com aquela fartura clássica que a gente sempre espera na Grécia. Nossa dica! Vai no Greco Paros Traditional Greek Taverna, o duro mesmo foi ter que voltar caminhando para o hotel depois de comer tanto!

E as nossas impressões? É verdade que o lugar é bem mais cheio e um pouco menos glamoroso que outras vilas mais exclusivas das Cíclades. Mas, ainda assim, vale demais como uma ótima opção para um passeio a dois à noite, com direito a se esbaldar no vinho e em um jantar caprichado sem ter que ficar pensando na fatura do cartão de crédito quando chegar.
Explorando o Litoral: Outras Praias que Visitamos
Seguindo o mantra dos YouTubers que mencionei, colocamos em nosso roteiro a Kolympethres Beach e, na sequência, a Praia do Mosteiro. Ambas são muito próximas uma da outra, e para alcançá-las alugamos um carro meio que de última hora, uma vez que visitar a charmosa vila de Naoussa também estava em nosso radar.
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Kolympethres Beach
Conhecida por ser uma praia de águas cristalinas e formações rochosas bem diferentes, é ótima para o banho de mar, pois fica em uma baía. Foi o nosso pontapé inicial para conhecer o litoral de Paros.

Há uma estrutura de beach clubs com a conveniência de alugar espreguiçadeiras e acesso ao bar, mas esse não era nosso foco; queríamos mesmo aproveitar o banho e seguir para outras praias depois. Não há muitos lugares para ficar na areia, então você verá muitos locais e turistas mais espertos montando pequenos acampamentos nos arbustos que encontram em meio ao clima desértico típico dessa praia.

Os preços, como em toda a indústria de beach clubs, seguem a mesma regra: aqui você paga pela conveniência. Como não achamos que valia a pena, ficamos no básico: toalha na areia e banho de mar.
Também há alguns restaurantes locais próximos e, no nosso caso, parar em um deles para comer um gyro e seguir para a próxima praia foi uma opção mais prática e econômica.

Nosso review: Apesar de não ter tanta gente, achamos que a praia tem uma cara de praia urbana. Vale a visita, mas não é nada de outro mundo.
Monastiri Beach (Praia do Mosteiro)
Esta praia teve um “algo a mais” para nós, que estávamos buscando um lugar mais tranquilo, com mais gente jovem em busca de sossego.

Colocamos nossas coisas na encosta das pedras e fomos para nosso banho de batismo — se é que posso fazer um trocadilho com isso, já que a praia fica aos pés do Mosteiro de Agios Ioannis Detis, uma típica igrejinha branca de cúpula azul encravada nas rochas que rende um belo cenário.

Essa praia oferece várias opções para banhistas, desde o beach club (que pulamos também) até áreas privadas da marina nas rochas (muito legal e chique), onde quem estiver disposto a deixar algumas dezenas de euros pode desfrutar.

Nós começamos o nosso banho praticamente sozinhos na praia, depois seguimos para fotos no topo do cartão-postal do local (o mosteiro), e voltamos ao nosso hotel para um banho rápido antes de jantar em Naoussa, nossa programação de bater perna à noite.
Naoussa: O Lado Sofisticado e Charmoso de Paros
Se Parikia é a porta de entrada e o centro funcional, Naoussa é, sem dúvida, a joia da coroa da ilha, especialmente para quem viaja em casal. Localizada ao norte, essa antiga vila de pescadores transformou-se num destino cosmopolita e extremamente charmoso.
Pegámos o carro que alugámos de última hora e fomos para lá ao final do dia para conferir se o hype era real. O que encontrámos foi um cenário de praia na meio que vide de Búsios, no Rio, onde o rústico dos barcos de pesca se mistura perfeitamente com o luxo discreto de boutiques e restaurantes de alto nível.

Como eu queria fazer uma surpresa para a Alice, sentamos em uma dessas tavernas para um jantar romântico de fim de tarde — que, é claro, terminou com uma conta nada romântica. Já adianto que não vou deixar o lugar como dica, pois o restaurante (Axinos Seafood Restaurant) passou longe de entregar aquela experiência gastronômica que a gente ama, deixando a sensação clara de que estávamos pagando muito mais pela vista do que pela comida.
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Para quem busca os melhores ângulos para fotos ou apenas quer curtir o que há de mais icónico na ilha, estes são os pontos principais de Naoussa:
- Porto Veneziano: É o coração pulsante da vila. Ver as mesas dos restaurantes quase a tocar a água do mar, rodeadas por barcos coloridos, que vimos apenas de longe.
- Ruínas do Castelo Veneziano (Kastro): Uma pequena caminhada pelo cais leva-te até ao que restou da torre de vigia do século XV. É o ponto perfeito para ver a vila de “fora para dentro” e sentir a brisa do mar.
- Labirinto de Ruelas Brancas: As vielas de Naoussa conseguem ser ainda mais estreitas e “perfeitas” que as de Parikia. Aqui, o comércio é mais voltado para marcas de design, galerias de arte e boutiques de luxo.
- Marina e o Contraste de Barcos: É fascinante observar os tradicionais caiques (barcos de madeira gregos) ancorados lado a lado com iates modernos, mantendo viva a alma pescadora do local.

A noite em Naoussa tem uma energia muito diferente. Enquanto Parikia nos pareceu mais democrática e “cidade grande”, Naoussa exala sofisticação. Os restaurantes à beira-mar no porto velho são disputadíssimos e, claro, os preços acompanham a exclusividade da localização. Mas como Parikia, você também pode achar algumas pérolas no caminho, sem o glamour da vista, entregando mais por menos.
Dia 2: A Escapada para Antiparos
Como Paros possui uma pequena ilha vizinha muito recomendada chamada Antiparos, essa seria uma forma perfeita de diversificar a viagem e fugir um pouco do agito. A travessia é feita em um ferry rápido que dura apenas 10 minutos, permitindo inclusive que você embarque com o carro alugado — que foi o nosso caso.

É a opção ideal de bate-e-volta para curtir uma vibe mais pacata, desbravar praias mais calmas e um centrinho que tem ainda mais cara de paraíso grego. Inclusive, se você quer algo mais tradicional, se hospedar por lá pode ser uma ótima opção, já que o ferry para Paros é super rápido. A ilha é pequena e pode ser facilmente explorada com um dia de carro. Nosso foco era conhecer pelo menos duas praias e a famosa gruta da ilha.
As primeiras impressões de Antiparos são claras: se você está procurando isolamento, aqui é o lugar; se está procurando praticar kitesurf, nem se fala; se está procurando explorar cavernas, talvez seja a sua praia.
Paralia Soros
Uma das praias mais famosas de Antiparos. É uma praia longa, de areia grossa e pedrinhas, com águas cristalinas e que afundam rapidamente. O clima é excelente e até tem alguns beach clubs para quem faz questão de estrutura, mas, no geral, mantém uma energia muito mais relaxante do que as praias de Paros.

Como estávamos fugindo das cobranças de beach clubs, estendemos a nossa toalha na encosta de uma falésia para garantir uma sombra no esquema “0800” e passamos algumas horas ali com os nossos próprios lanches e bebidas. A praia é um misto de mar aberto com algumas prainhas de pedras, o que a torna um pouco perigosa para explorar se você não curte aventura. Sendo bem sincero? Para mim, foi apenas legal.
Caverna de Antiparos (Spilaio Antiparou)
Depois da praia, fomos explorar essa maravilha natural de que os tais YouTubers tanto falaram. Mas, na nossa opinião, a vista que se tem lá de cima da montanha vale muito mais do que a caverna em si.

Lenda da Caverna: Uma das lendas mais antigas conta que, no século IV a.C., um grupo de conspiradores macedônios que tentou assassinar Alexandre, o Grande, usou a caverna como esconderijo para escapar da perseguição dos soldados do imperador. Dizem que eles se embrenharam nas profundezas da gruta para nunca mais serem encontrados.
O interior até que é impressionante, cheio de estalactites e estalagmites espalhadas por uma descida imensa de escadas, mas se você já visitou outras cavernas na vida, acho que pode pular essa sem peso na consciência.

Também achamos o lugar um pouco largado em termos de conservação, então a decisão de incluir no roteiro é com você. Caso queira visitar, o ingresso custa €6 (adultos) e a caverna funciona todos os dias, das 10h às 16h (entre maio e outubro).
Livadia Beach (Antiparos)
Atenção: não confunda com a de Paros! A Livadia de Antiparos fica do lado oeste da ilha e é exatamente o oposto da praia urbana em que ficamos. É uma praia selvagem, muito isolada, sem estrutura nenhuma e frequentemente batida por ventos fortes. Inclusive, foi uma das poucas praias em toda a nossa viagem onde vimos surfistas, mas o acesso de carro não é dos melhores.

Na verdade, a nossa impressão geral ao dirigir por Antiparos é a de que o tempo parou naquele lugar. Vimos muitas casas abandonadas e um ar de esquecimento que, em alguns momentos, nos deu até um pouco de tristeza.

Veredito: Vale a passagem pela ilha? Depende muito do que você curte. Para nós, sinceramente, não marcou.
A Experiência com os Ferries: A Chegada e a Partida
Como saímos muito cedo de Milos para Paros via ferry rápido, o trajeto foi tranquilo, mas sem muito glamour, já que a embarcação era muito pequena e sem acesso ao deck aberto. O desembarque foi rápido, assim como a localização do hotel. Não usamos táxi ou qualquer outro transporte; colocamos as mochilas nas costas e andamos por uns 30 minutos.

Já a experiência com o ferry partindo para Creta… essa sim foi uma das experiências que nos fizeram repensar o uso de ferries nas ilhas. Fizemos o checkout entre as 10h e 11h, procuramos uma base para aguardar o ferry chegar, mas o que deveria ser apenas 2 horas de espera (incluindo o processo de embarque) se transformou em quase 2 horas de atraso. Se quiser saber mais sobre esse tópico, leia nosso post específico sobre os ferries.
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Veredito: Vale a pena incluir Paros no roteiro?
Eu diria que, se eu pudesse reprogramar o nosso roteiro, eu pularia essa ilha e adicionaria mais dias em Milos e Creta. Depois de colocar as contas na ponta do lápis, percebemos que perdemos praticamente um dia da nossa viagem apenas com a logística de entrar e sair da ilha. Sinceramente, para ficar apenas dois dias inteiros, não vale o esforço, mesmo sendo uma ilha mais barata.

Penso que teríamos aproveitado muito mais o que nos faltou ver em Milos e em Creta. Mas viajar é assim: por mais que você planeje, nada substitui a experiência de viver o lugar para julgar por si mesmo. Se você tiver mais tempo na sua viagem, faça um favor a si mesmo e desacelere quando o assunto for ilhas gregas. Aqui, a pressa não funciona.
Leia também: “Chania: O Charme Veneziano que nos Conquistou em Creta“







