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Norte da Madeira: Piscinas Vulcânicas e o Que Eu Faria Diferente

Um dia explorando o norte da Ilha da Madeira de carro alugado: o teleférico da Rocha do Navio que não funcionou, a cachoeira do Véu da Noiva caindo no Atlântico e o banho radical nas piscinas vulcânicas do Seixal. Conto tudo sem filtro, incluindo os erros de planejamento que você pode evitar.

Marco Vasconcelos
Escrito por Marco Vasconcelos11 de junho de 2026 | Atualizado em: 11 de junho de 2026
Norte da Madeira: Piscinas Vulcânicas e o Que Eu Faria Diferente

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Adeus Táxi, Olá Curvas: Começando a Aventura no Norte

Tem dia de viagem que sai exatamente como planejado. Este não foi um deles. Foi o dia em que trocamos o combo “ônibus, táxi e aplicativo” de Funchal pela liberdade de um carro alugado, e a liberdade cobrou o preço logo de cara: nas primeiras horas ao volante, já estávamos encarando um dos trechos mais tensos e sinuosos da ilha inteira.

Dica de amigo: se puder evitar as rotas mais difíceis justamente no período de adaptação com o carro, evite. A gente não evitou (e sobreviveu para contar).

Apesar do frio na barriga, seguimos pela rota leste, passando por Machico, e o que vimos pelo caminho compensou cada curva. Neste post conto como foi nosso dia explorando o norte da Madeira, do teleférico que não funcionou às piscinas vulcânicas com mar bravo, e principalmente o que eu faria diferente se pudesse refazer esse roteiro hoje.

Leia também: “Alugar um carro na Ilha da Madeira: vale a pena? (Guia completo)

1ª Parada: Miradouro da Rocha do Navio, em Santana

Nossa primeira grande meta era o famoso teleférico da Rocha do Navio, em Santana, que desce até a fajã lá embaixo. E aqui veio a primeira surpresa do dia: o acesso estava interrompido e não conseguimos descer até a base.

Frustrante? Um pouco. Mas na prática, a parada valeu mesmo assim. A vista das falésias vulcânicas encontrando o azul do Atlântico já foi um capítulo à parte e rendeu imagens incríveis. É aquela lição que a Madeira ensina o tempo todo: o caminho costuma entregar tanto quanto o destino.

💡 Dica: antes de ir, confira se o teleférico está operando. Na nossa visita, descobrimos a interrupção só chegando lá.

2ª Parada: Miradouro do Véu da Noiva

Seguimos pela estrada até um dos cartões-postais da ilha: o Miradouro do Véu da Noiva. O nome faz jus à cena: uma cachoeira que brota do paredão de pedra e despenca direto no oceano, lembrando o véu de uma noiva ao vento.

📍 Onde fica: na antiga estrada regional ER101, entre São Vicente e Seixal. A estrada tem trechos fechados por desmoronamentos, o que dá um ar bem dramático ao cenário.

🕒 Tempo de visita: 20 a 30 minutos são suficientes.

💰 Preço: acesso totalmente gratuito, com estacionamento ao lado e uma lojinha de souvenirs.

Nota do fotógrafo: o visual é de cair o queixo, mas senti muita falta da minha lente teleobjetiva nesse dia. A cachoeira fica a uma certa distância do mirante, então quem gosta de fotografia e quer capturar os detalhes da queda d’água vai precisar de zoom. A olho nu (ou com uma lente mais aberta) a cena não entrega o detalhe que merece.

3ª Parada: Piscinas Naturais do Seixal (com emoção!)

Do próprio Véu da Noiva já avistávamos o próximo destino: a praia de areia preta e pedras vulcânicas do Seixal. Só que a maré estava altíssima e as ondas, confesso, assustadoras. A praia ficou de fora do roteiro, então decidimos arriscar nas piscinas naturais.

E aqui vai um aviso, sem filtro: esqueça a tranquilidade de piscina de hotel. Quando o mar bate nas pedras, você literalmente se sente dentro de uma cratera de vulcão em dia de tempestade. Se você curte um banho mais radical, essa é a pedida. Eu e a Alice vimos algumas pessoas tomando sol nas rochas, mas como chegamos tarde, não conseguimos aproveitar a água por muito tempo.

Acesso, preços e estrutura

💰 Preço: as Piscinas Naturais do Seixal são de acesso público e gratuito.

🚗 Estacionamento: há bolsões próximos, alguns gratuitos e outros pagos.

🚿 Estrutura: o local conta com o apoio do Clube Naval do Seixal, onde você usa banheiros e chuveiros por uma pequena taxa (cerca de 1 a 2 euros), além de um bar à disposição.

Poças das Lesmas: a parte que o mar não deixou

Tentamos chegar à parte teoricamente mais tranquila, conhecida como Poças das Lesmas (famosa pelo arco de pedra natural), mas o mar agitado não permitia acesso seguro. A solução? Sentamos no bar, pedimos uns drinks e aproveitamos o sol. Às vezes, o plano B é exatamente o que a viagem pedia.

Leia também: Ponta de São Lourenço: trilha, barco e banho de mar na Madeira

Quando o clima da Madeira decide por você

Nosso plano original era seguir até as famosas (e mais estruturadas) piscinas de Porto Moniz. Ledo engano achar que o cronograma estava nas nossas mãos: o clima na Madeira tem vontade própria, a chuva resolveu dar as caras e encerrou a programação mais cedo.

Porto Moniz ficou para uma próxima. E, como costumo dizer, na Madeira é melhor ter um plano flexível do que um plano perfeito.

O que eu faria diferente nesse roteiro

Se eu pudesse voltar atrás e refazer o planejamento desse dia, estas são as três mudanças que faria (anote aí):

1. A estratégia das duas bases. Usamos Funchal, no sul, como base única da viagem inteira para otimizar o orçamento. O problema? O tempo cruzando do sul para o norte pelas estradas sinuosas consome uma fatia enorme do dia. A Madeira não é gigantesca, mas a topografia dita a velocidade. Ter pelo menos duas bases (uma no sul e outra no norte, como São Vicente ou Santana) é, sem dúvida, a melhor forma de otimizar a viagem. É puro custo de oportunidade: o que você economiza em hospedagem, paga em horas de estrada.

2. Sair o mais cedo possível. Chegar tarde nas piscinas e nos mirantes custou caro, tanto pela lotação quanto pela virada do clima. No norte, o sol se esconde mais rápido atrás das montanhas. Comece o dia cedo, de verdade.

3. Checar o clima constantemente. A ilha tem vários microclimas. Pode estar um sol radiante em Funchal e chovendo no Seixal. ⚠️ O aplicativo Madeira Weather e as webcams espalhadas pela ilha (no site Netmadeira) são seus melhores amigos. Consulte antes de sair e ao longo do dia.

4. Consultar as marés antes de montar o roteiro. Esse foi o erro que mais pesou no nosso dia. As praias e piscinas naturais só funcionam de verdade com o mar calmo, e nós simplesmente não checamos isso. Resultado: praia de areia preta cancelada, Poças das Lesmas inacessíveis e pouco tempo de água no Seixal. ⚠️ Não se engane: a Madeira está no meio do oceano Atlântico, não espere que ele seja fácil. Consulte a tábua de marés e a previsão de ondulação antes de decidir qual dia dedicar ao litoral norte.

Perguntas frequentes sobre o norte da Madeira

Dá para conhecer o norte da Madeira em um dia saindo de Funchal?

Dá, mas com ressalvas. Foi o que fizemos, e o deslocamento comeu boa parte do dia. Se o norte é prioridade na sua viagem, considere dormir pelo menos uma noite em São Vicente ou Santana.

Preciso de carro para explorar o norte da ilha?

Na prática, sim. Existe transporte público, mas os horários são limitados e os pontos de interesse ficam espalhados. O carro dá a liberdade de parar nos mirantes pelo caminho, que são metade da experiência.

As estradas do norte da Madeira são perigosas?

Perigosas não é a palavra, mas exigem atenção: curvas fechadas, túneis, trechos estreitos e subidas íngremes. Se for seu primeiro dia com o carro alugado, comece por rotas mais tranquilas antes de encarar o norte.

As Piscinas Naturais do Seixal são pagas?

Não, o acesso é gratuito. Você só paga uma pequena taxa (1 a 2 euros) se quiser usar os banheiros e chuveiros do Clube Naval do Seixal.

Seixal ou Porto Moniz: qual escolher?

São propostas diferentes. O Seixal é mais selvagem, gratuito e com menos estrutura. Porto Moniz tem piscinas maiores, mais organizadas e pagas. Com tempo (e clima a favor), dá para visitar as duas no mesmo dia, já que ficam próximas.

Qual a melhor época para visitar o norte da Madeira?

O norte é mais úmido e instável que o sul em qualquer época do ano. Mais importante do que o mês é a estratégia: saia cedo, monitore o clima em tempo real e tenha sempre um plano B na manga.

Balanço final: o norte da Madeira vale a pena?

Vamos direto ao ponto: sim, vale, e muito. Mas é bom saber no que você está se metendo.

O que jogou a favor: paisagens que ficam na memória para sempre, o Véu da Noiva despencando no Atlântico, a sensação de banho dentro de uma “cratera de vulcão” no Seixal e estradas que, apesar da tensão, são um espetáculo à parte.

O que jogou contra: teleférico fechado sem aviso, maré alta que cancelou a praia e as Poças das Lesmas, chuva que cortou Porto Moniz do roteiro e o tempo perdido cruzando a ilha a partir de Funchal.

No fim das contas, o saldo foi positivo. O norte da Madeira não é para os fracos de coração nem para quem precisa de roteiro cravado no relógio. É natureza bruta ditando as regras, e é exatamente isso que torna a região inesquecível. Pelo menos, essa é a minha opinião.

Norte da Madeira: Piscinas Vulcânicas e o Que Eu Faria Diferente

E você? Teria coragem de encarar as piscinas do Seixal com o mar bravo, ou ficaria no bar com a gente? Conta nos comentários!

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🌎 Boa viagem e até a próxima aventura!
Aqui no Vale a Pena Visitar? acreditamos que cada destino tem uma história única para contar, e queremos inspirar você a viver a sua. Continue explorando o mundo com curiosidade, respeito e aquele toque de planejamento que transforma qualquer viagem em uma experiência inesquecível. Nos vemos no próximo destino!

Marco Vasconcelos

Brasileiro, morador de Montreal desde 2018 e especialista em fugir da neve sempre que o termômetro marca dois dígitos negativos. No Vale a Pena Visitar?, documento minha busca incessante por destinos onde eu não precise de três camadas de roupa para ser feliz. Se tem sol, boas ondas ou uma vista que não seja um banco de neve, eu provavelmente estou lá com uma câmera na mão. ☀️❄️🏃‍♂️

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